Entrevista Exclusivo

Entrevista com Toshiya da DIR EN GREY

01/05/2024 2024-05-01 13:11:00 JaME Autor: Lucy C.H. Tradução: JBH, Nana Revisão: JBH

Entrevista com Toshiya da DIR EN GREY

Toshiya, baixista da DIR EN GREY, conversou conosco em Paris durante a turnê tão aguardada "FROM DEPRESSION TO ________ [mode of Withering to death. & UROBOROS]" sobre as impressões da banda em relação à turnê europeia, os lançamentos recentes, planos para o futuro e o papel da música em tempos turbulentos.


© Lucy CH

Em Paris, nuvens correm pelo céu cinza silencioso. O clima de início de primavera não teve pena da pequena multidão que começou a se reunir do lado de fora do Bataclan. O próprio nome do local é uma palavra francesa que remete à festa, mas a bolha que se formou ao redor dele está silenciosa e cheia de suspense – quanto tempo até que ela estoure?

Também esperando, dentro do labirinto de camarins revestidos com estampa de leopardo, está Toshiya, baixista da DIR EN GREY. Uma presença sombria e imponente, mas gentil, ele gira uma pulseira prateada entre os dedos enquanto fala com o JaME sobre as impressões da banda em relação à turnê até aquele momento, os lançamentos recentes, planos para o futuro e o papel da música em tempos turbulentos.


Já se passaram quatro anos desde a última turnê europeia a banda. Muitas coisas aconteceram no mundo desde então, incluindo a pandemia da Covid. A DIR EN GREY realizou várias atividades para manter contato com os fãs estrangeiros, mas o retorno à Europa era um evento muito aguardado. Como você se sente por estar de volta hoje?

Toshiya: Estamos muito felizes por estar de volta. Este ano, a nossa turnê começou em Varsóvia, e agora estamos na metade das nossas apresentações em Paris. A energia dos fãs de diferentes países muda de um modo não tão óbvio quanto se poderia pensar. Sentimos a empolgação e a energia deles durante os nossos shows de abertura na Polônia, e isso teve um grande impacto em nós como banda. Mas durante nosso primeiro show em Paris, [mode of Withering to death.], a plateia era uma só. Foi como se o local se unisse para compartilhar sua força conosco. Ficamos honrados por estar lá com eles.

Há dois anos vocês lançaram seu 11º álbum de estúdio, PHALARIS. O que você pode nos contar sobre este lançamento?

Toshiya: PHALARIS é um álbum conceitual. Há um narrador do início ao fim, e uma história sendo contada. Tentamos fazer algo semelhante com UROBOROS e DUM SPIRO SPERO. PHALARIS ganhou esse nome em homenagem a um equipamento de tortura – o touro de bronze. Há pessoas que sentem medo ao pensar em tortura, outras veem isso como uma forma de salvação. Existem dois lados; uma palavra, duas maneiras de entendê-la. Algumas pessoas ouvirão PHALARIS e ficarão aterrorizadas, outras sentirão certa catarse.

PHALARIS inclui remakes de dois dos seus singles mais populares: mazohyst of decadence, de 1999, e ain’t afraid to die, de 2001. Recentemente, vocês lançaram o single 19990120 em comemoração à sua estreia em 1999, que inclui mais remakes de músicas do mesmo ano. No entanto, a intenção não era mudar a essência dessas músicas, certo?

Toshiya: Eu acho que está no ego do artista querer refazer músicas antigas. Mas, uma vez que você lança uma música, ela não é mais sua. Ela não te pertence mais como artista; ela pertence ao ouvinte. É algo que é dado e compartilhado com as pessoas. Ela não é mais uma coisa nossa que podemos continuar moldando e mudando como quisermos. Uma vez que uma música não é mais sua, você não pode fazer isso – e nem deveria. Então, quando regravamos essas músicas mais antigas, resistimos à compulsão de fazer grandes mudanças. Mantivemos o lado nostálgico, a essência da música que os nossos ouvintes gostam, porque essas músicas agora pertencem a eles. Se fizéssemos quaisquer mudanças, seriam músicas novas e não pertenceriam mais a eles. Se tivéssemos feito mudanças consideráveis, faríamos isso por causa do nosso próprio ego como artistas e não manteríamos esse senso de pertencimento intacto.

Para esta turnê, vocês escolheram homenagear seus álbuns Withering to death., de 2005, e UROBOROS, de 2008. Por que justamente esses dois, e como a ambientação deles é diferente?

Toshiya: Escolhemos esses dois álbuns porque eles são como Yin e Yang, escuridão e luz. Withering to death. tem uma atmosfera muito mais leve do que UROBOROS. O clima do segundo é muito mais sombrio. A atmosfera de cada álbum reflete as nossas experiências de vida como banda, o que estávamos passando enquanto cada um desses álbuns estava sendo produzido. Como DIR EN GREY, tivemos uma evolução significativa desde que lançamos esses dois álbuns. Como indivíduos, nós cinco passamos pela nossa própria metamorfose. Depois de 20 anos, a diferença é que não abordamos mais a DIR EN GREY como um grupo de cinco membros, mas simplesmente como um todo. Adotamos uma perspectiva muito mais ampla do que somos como banda.

Vocês tocaram na Europa pela primeira vez em 2005. Tocar fora do Japão fazia parte da perspectiva de expansão da DIR EN GREY?

Toshiya: Eu lembro de quando tocamos na Alemanha pela primeira vez. Foi justamente com o nosso repertório de Withering to death. Até então, nunca tínhamos considerado a possibilidade de tocar fora do Japão, mas foi com UROBOROS que começamos a pensar na DIR EN GREY como uma banda global; de pertencer ao Japão para pertencer ao mundo. Isso é um bom exemplo de como a nossa perspectiva mudou de micro para macro naquele estágio da nossa carreira.

E depois de todos esses anos, a DIR EN GREY não mostra sinais de enfraquecer. Vocês vão lançar seu 34º single, The Devil In Me, em abril...

Toshiya: E eu acredito que este seja um single que será diferente do estilo usual da DIR EN GREY. Se você ouvir as músicas apenas uma vez, não vai entender. Acho que precisará ouvir várias vezes e, então, talvez você entenda. Como baixista, tentei moldar a minha parte do som para que ela ficasse na memória dos ouvintes; fora deles, ou dentro, quanto mais eles ouvirem. Eu queria que as minhas linhas de baixo chegassem a eles e permanecessem com eles. Quero que os ouvintes pensem sobre isso e consigam sentir depois de ouvir. Quero que pensem, "algo está aqui no mesmo cômodo que eu, algo ficou daquela música, e esse algo se apegou a mim".

A DIR EN GREY existe há 27 anos. É muito incomum uma banda permanecer junta por tanto tempo. O que podemos esperar de vocês no futuro?

Toshiya: Não dá pra prever como será o futuro. Para ser honesto, do jeito que vejo, vamos apenas continuar tocando como DIR EN GREY. Pelo tempo que der, e mesmo que só tenhamos um fã no mundo, eu ainda sentiria vontade de tocar para essa pessoa. Como indivíduos, todos temos estilos artísticos muito diferentes e ainda queremos explorar muitas coisas individualmente. A limitação com a DIR EN GREY é que não somos um show de um homem só, somos um grupo, uma fusão de cinco. Um de nós não pode mudar sozinho a direção artística com base no seu próprio estilo. Queremos desafiar musicalmente em muitos pontos, mas precisa fazer sentido. O que quer que façamos a seguir, tem que ser DIR EN GREY.

Estamos felizes em receber a DIR EN GREY de volta à Europa, mesmo que desejássemos que o nosso encontro fosse em tempos mais felizes. A Europa está passando por um período difícil, com conflitos crescentes no Leste e a ameaça persistente de ataques terroristas. Apenas ontem, sessenta pessoas foram assassinadas no Crocus City Hall em Moscou durante um show de rock. O local onde vocês tocarão hoje, o Bataclan de Paris, viu mais de noventa mortes nas mãos de homens armados durante um show de metal em 2015. Como você se sente, como músico, tocando aqui hoje?

Toshiya: Eu não sei o que o amanhã trará. E eu me pergunto, o que a música pode fazer diante de tais tragédias? Música não pode salvar o mundo. Música é apenas entretenimento. Você só pode desfrutá-la se suas necessidades mais básicas tiverem sido atendidas. Só então é possível abrir espaço na vida para apreciar uma forma de arte como a música. E ainda assim... a música pode alimentar a alma até certo ponto. Pode trazer certo conforto, certa satisfação. Estamos na França enquanto falamos, o país da revolução. Não foi a música que mudou o mundo, mas talvez ela tenha trazido conforto às pessoas em tempos sombrios. Dado o estado atual do mundo, sei que a música é apenas uma satisfação tangencial, mas espero sinceramente que esta noite traga algum conforto aos nossos ouvintes.


O JaME de agradecer a Toshiya, à equipe da DIR EN GREY, à Twisted Talent Entertainment e ao intérprete Masa Eto por esta entrevista.

A DIR EN GREY acabou de lançar o single The Devil In Me. Confira a seguir.

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