Entrevista com AiNA THE END
Em entrevista ao JaME, AiNA THE END fala sobre sua trajetória desde os tempos no BiSH, reflete sobre seu processo criativo, a relação com anisongs e seus planos para alcançar novos públicos ao redor do mundo.

Após iniciar sua carreira em 2015 como integrante do grupo idol alternativo BiSH, a cantora AiNA THE END deu início à sua carreira solo em 2021 com um álbum intitulado THE END. Depois do encerramento das atividades do BiSH em 2023, AiNA THE END continuou se apresentando e lançando músicas solo, e alguns de seus trabalhos passaram a chamar a atenção de um público internacional mais amplo, como os temas de abertura dos animes "DanDaDan" e "Diários de uma Apotecária". Nesse contexto, seu álbum em vinil My Collection of Anime Songs foi lançado internacionalmente pela Black Screen Records.
A equipe do JaME teve a oportunidade de conversar com AiNA THE END sobre o álbum e sua trajetória até aqui, pouco depois de sua visita à Espanha, onde ela se apresentou no evento Manga Barcelona, em dezembro de 2025.
Para leitores que estão descobrindo você pela primeira vez, como você se descreveria como artista?
AiNA THE END: Pratico dança contemporânea e jazz desde os quatro anos de idade, então a dança sempre foi um modo de expressão muito importante para mim. Comecei a cantar aos 18 anos, e acredito que isso faz de mim uma artista que valoriza muito tanto o canto quanto a dança.
Quando você percebeu pela primeira vez que a música seria o centro da sua vida?
AiNA THE END: Por volta do Ensino Fundamental. Eu costumava colocar músicas das minhas bandas favoritas no meu iPod e ouvi-las no caminho para a escola, e isso fez com que acordar cedo deixasse de parecer um peso. Mesmo quando coisas ruins aconteciam, a música mudava o meu mundo e realmente me ajudava, então foi nesse momento que percebi isso.
Sua voz é muito marcante e emocional. Como você passou a abraçar essa forma única de cantar?
AiNA THE END: Fiz parte de um grupo feminino chamado BiSH por oito anos, e durante esse período aprendi os fundamentos do canto de rock ’n’ roll. Eu não desenvolvi a minha voz atual sozinha. Acredito que ela existe graças a tudo o que várias pessoas me ensinaram.
Quais artistas ou experiências musicais mais influenciaram você quando era mais jovem?
AiNA THE END: Existe um grupo de dança contemporânea chamado N-Trance Fish. Quando assisti a uma apresentação deles, fiquei tão impactada que nem consegui sair do lugar depois que terminou. Aquilo deixou em mim algo muito forte, quase como um “trauma” positivo. Essa experiência me fez querer provocar nas pessoas esse mesmo tipo de "choque bonito" nos meus próprios shows.
Quais emoções você mais deseja expressar por meio da sua música?
AiNA THE END:
No caos e na nebulosidade da vida cotidiana, especialmente quando as coisas não estão indo bem, quero que minha música seja como um botão de reset, algo que você possa apertar para começar de novo. Ou pelo menos… acho que é isso.
Você já trabalhou tanto em grupo quanto como artista solo. Como seguir carreira solo mudou sua relação com a música?
AiNA THE END:
Sinto um senso de responsabilidade muito maior. Antes eu não pensava tanto em coisas como títulos de músicas, mas desde que me tornei artista solo comecei a elaborar cuidadosamente o título de cada canção. Além disso, também passei a sentir uma responsabilidade muito maior por cada apresentação ao vivo.
Muitas de suas músicas parecem profundamente pessoais. Compor é uma forma de cura para você?
AiNA THE END:
Não, na verdade não. Criar algo exige muita energia. As letras não surgem para mim como uma conversa casual. Preciso encaixar as palavras no ritmo como peças de um quebra-cabeça; caso contrário, não soa certo. Transmitir o que quero dizer e ao mesmo tempo transformar isso em música é um processo muito difícil.
Recentemente você cantou vários temas de anime. O que a atrai nesses projetos?
AiNA THE END:
Os temas de anime costumam ter 89 segundos de duração, e eu sinto que esse tempo tem algo muito romântico. Em um período tão curto, você precisa criar quase uma montanha-russa, cheio de dinâmica e movimento, e acho que isso realmente testa o seu senso como criador. Eu adoro descobrir como expressar tudo dentro desses 89 segundos.
Existe algum universo de anime ou mangá para o qual você gostaria de criar uma música?
AiNA THE END:
Séries em que os personagens se transformam. Obras como "Sailor Moon" e "Ojamajo Doremi" eram populares na minha geração, então eu adoraria criar algo assim. Também amo o anime "Violet Evergarden", então gostaria de escrever para ele também.
A sua música agora está sendo lançada internacionalmente pela Black Screen Records, com um vinil que inclui músicas de animes e filmes. Como você se sente ao alcançar um público maior fora do Japão? Pode falar mais sobre isso?
AiNA THE END:
Graças a uma música chamada On the Way, tive a oportunidade de alcançar ouvintes em muitos países além do Japão. Por causa dessa música, também pude lançar um disco em vinil. Eu adoraria levar meus discos para o exterior e continuar compartilhando mais da minha música internacionalmente.
AiNA THE END:
Sim, gostaria. Mas tenho uma turnê pela Ásia chegando, então primeiro quero visitar países asiáticos em que nunca estive antes.
O que você espera que ouvintes internacionais sintam quando ouvirem a sua música pela primeira vez?
AiNA THE END:
Quero que me digam exatamente o que pensam de forma honesta. Mesmo que seja algo como “machuca meus ouvidos” (risos). Não precisa ser apenas comentários positivos, está tudo bem.
Se você pudesse dar um conselho a si mesma de 10 anos atrás, qual seria?
AiNA THE END:
Eu diria: “Você deveria valorizar mais as integrantes” [ex-integrantes do BiSH] (risos). Naquela época eu estava tão focada nas minhas próprias atividades que ficava ocupada demais até para comemorar coisas como aniversários, então acho que deveria ter valorizado mais as pessoas ao meu redor para poder aproveitar esses momentos juntas.
Quando você não está criando música, o que ajuda você a recarregar as energias ou encontrar inspiração?
AiNA THE END:
Ultimamente tenho gostado de ler coletâneas de poesia, e estou especialmente fascinada pela poesia de Shuji Terayama. Também gosto de filmes e coletâneas de poemas mais antigos, especialmente aqueles com um estilo clássico, mais tradicional.
Que valores ou mensagens você espera levar ao longo da sua carreira como artista?
AiNA THE END:
Acho que muitas coisas acontecem na vida, mas não existe algo como uma pessoa especial. Todos neste mundo recebem a mesma quantidade de talento e de tempo. Tudo depende de como você escolhe viver dentro disso. Só percebi isso recentemente. Em vez de pensar que outra pessoa é especial, quero que as pessoas saibam que elas mesmas são especiais e que vivam com orgulho. Isso é algo que tenho refletido nas minhas letras ultimamente.
Olhando para o futuro, que tipo de caminho você gostaria de construir com sua música?
AiNA THE END:
Ultimamente tenho gostado de ouvir música em um boombox, especialmente Joni Mitchell. Eu ficaria feliz se pudesse me tornar uma cantora como ela, alguém cuja música entra discretamente no cotidiano das pessoas.
O JaME agradece a AiNA THE END por seu tempo, à sua equipe e à Black Screen Records pela tradução para o inglês.