Entrevista Exclusivo

Entrevista com a CHOKE

21/01/2021 2021-01-21 13:00:00 JaME Autor: Lucy C.H., Christine, Wicky Tradutor: Nana

Entrevista com a CHOKE

O “metal montanha russa” planeja devastar o mundo.


© CHOKE. Provided by Royal Stage

Formada na cena underground de Tóquio em 2017 pelo vocalista REON, o guitarrista KVYA NONO e o baixista B5, a banda visual de rap metal CHOKE tem experimentado diferentes gêneros para criar seu próprio som, planejando desconectar-se dos padrões estabelecidos. Suas músicas contam com instrumentos com afinação drop D; riffs distorcidos com licks rápidos de guitarra; baixo pesado com slap; breakdowns intensos; e vocais dinâmicos com rap claro, guturais baixos e gritos agudos.

A CHOKE tem tirado vantagem dos canais de distribuição digital, expandindo sua música pelo mundo e encorajando seus ouvintes a dizer o que pensam e a devastar o mundo.


Para aqueles leitores que ainda não tiveram a chance de ouvir a CHOKE, como vocês descrevem a sua música?  

REON: Muitas das nossas músicas foram compostas em um estilo universitário, adicionando fragmentos diferentes de vários gêneros musicais em uma única música. Foi dito que essa progressão inesperada parece um passeio de montanha russa. Assim, colocando em poucas palavras, eu acho que “metal montanha russa” é a expressão perfeita para descrever o gênero da nossa banda.  

KVYA NONO: Se precisarmos nos apresentar, eu diria que “a nossa música é uma combinação de nu-metal e djent”. Mas, na verdade, a música que fazemos ultimamente tem elementos de hardcore e trap. Neste ponto, eu não sei como é a percepção disso pelos ouvintes e estou bem ciente dessa situação. Eu adicionaria que “nossas maquiagens são legais”. (risos)  

B5: Eu acho que o termo “crossover” encaixa bem. Apesar de a base da nossa música ser o metal, nós integramos diversos elementos. Para ser honesto, eu ainda não sei como descrever isso.  

A letra do seu single No problem at all parece advertir o ouvinte dos perigos da mentalidade de rebanho, da desinformação e de agradar as pessoas. Vocês gostariam de falar mais sobre isso? O que os inspirou a abordar esses tópicos?  

REON: A temática dos perigos da mentalidade de rebanho está constantemente na minha mente. Eu sinto que a nossa atual situação de lidar com o efeito eco que ocorre nas redes sociais e em outros meios de comunicação não é diferente das bases de cultos religiosos e de partidos políticos radicais. A maioria das pessoas que sofre lavagem cerebral acredita que não está sendo manipulada e que o seu julgamento não foi afetado, mas, na verdade, sua cabeça foi gradativamente invadida.   

A frase “mawata de shimetsukeru Like a Snake~ (Estar amarrado com um fio de seda, como uma cobra)” no início da música expressa exatamente isso. Para não correr esse risco, é necessário ter valores fortes. Eu os encontrei na música. Mas e vocês, pessoal? Eu pergunto. Eu acho que é possível superar qualquer adversidade atual e seguir para a próxima fase se você tiver valores assim. Portanto, eu escolhi esse título porque no final “No problem at all” (Sem problemas).  

Em The Human Anthem vocês expandiram esse pensamento ligeiramente e chamaram as pessoas para pensar fora da caixa e ousar ser quem elas deveriam ser antes da sociedade afetá-las. É uma mensagem interessante para uma banda do Japão, já que a sociedade japonesa é frequentemente vista pelas pessoas do ocidente como extremamente rigorosa e sistemática. Vocês escreveram essa música como uma reação direta a esse fenômeno?  

REON: Se No problem at all aponta para pessoas sem determinação, The Human Anthem dirige-se àqueles que vivem reprimindo seus desejos. É assim que essas músicas podem ser classificadas. Essas regras não existem apenas no Japão, mas em todos os países e áreas. Em alguns casos, desejos que não se alinham àquelas regras surgem nas pessoas; independentemente de ser eticamente certo ou errado. Claro, você será punido que quebrar as leis e esse comportamento nunca será aprovado.  

Contudo, comparado “àqueles humanos que tem sofrido lavagem cerebral” (que foi o tema de No problem at all), esses indivíduos exalam uma “energia ansiosa” que faz com que eles tenham uma existência mais humana e brilhante. Nós enaltecemos isso em The Human Anthem. Se eu puder apontar essa confiança na direção certa, eu poderei levar meu destino por um caminho melhor. “Vamos viver sem ter medo de experimentar” é uma mensagem final positiva.  


É difícil classificar a sua música em um único gênero já que vocês incorporam elementos de vários estilos. Essa é uma escolha consciente ou é apenas resultado da experiência musical individual de vocês quando se juntam?  

REON: É verdade, até certo ponto, que misturamos intencionalmente vários elementos musicais. Com isso em mente, podemos chamar isso de experimento musical. Nesse caso, nós podemos dizer que nossas músicas completas são um “relato de estudos experimentais”. Além disso, eu quero ser um fã de música em vez de ser apenas um músico. Sem dúvidas, as bandas que mais me impactaram foram aquelas com um toque original e novo. Então, eu também quero ser assim. É mais importante pra gente ser uma banda que sempre surpreende o público.

KVYA NONO: Eu gosto de procurar novos lançamentos quando eu ouço música. Então, eu sou o tipo de pessoa que checa profundamente os rankings da Billboard e do Spotify. As músicas novas nem sempre são boas, mas eu quero que a música da CHOKE acompanhe as últimas tendências da cena. Apesar de eu verificar muitas fontes afim de tornar as nossas composições únicas, em relação ao som, eu priorizo as técnicas de gravação da era analógica e depois procuro as inovações recentes. A CHOKE incorpora frequentemente o estilo dos bons tempos antigos. Eu espero que as pessoas possam prestar atenção a esses detalhes.  

B5: É intencional. Nós sabemos que nossas experiências pessoais são muito diferentes e, se as combinarmos, é inevitável ter uma mistura diversa de estilos. Consequentemente, a curiosidade fez com que experimentássemos, já que pensamos que seria legal. Uma vez que todos os membros têm a intensão de fazer o tipo de música que gostam sem restrições, nós sabíamos que teríamos músicas caóticas. E mesmo agora, nós ainda gostamos de fazer isso.  


Como vocês acham que o som da CHOKE vai evoluir no futuro? Tem algum som ou tema que vocês estão interessados em explorar?  

REON: Nesse momento da nossa carreira, eu acredito que finalmente tenho uma ideia clara de como trabalhar e fazer música como CHOKE. Portanto, há uma grande chance que nasça uma variedade muito maior de músicas livres. Pessoalmente, eu gostaria de aprimorar as minhas habilidades em fazer batidas de hip-hop e rap. Recentemente, eu tenho pensado em estudar o hip-hop de outros países como Rússia e Coreia do Sul.  

KVYA NONO: Eu acho que o nu-metal estará mais presente no futuro. Além disso, eu gostaria de continuar adicionando elementos do trapcore. O toque análogo e o sentimento do som ao vivo ainda virão primeiro, deixando de lado as opções digitais. Não preciso dizer que cuidar da acústica é importante também. Contudo, se eu colocar muito peso nisso, o som original da CHOKE pode ser deixado de lado. Eu vou fazer música sem esquecer a essência da banda.  

B5: Vai depender da inspiração naquele momento específico. Eu gosto do fato que o futuro é imprevisível. Mas uma coisa é certeza: nós não vamos parar de fazer o que queremos fazer e não vamos deixar a opinião dos outros entrar no nosso caminho. Pensar sobre música é sempre empolgante.  

Recentemente, vocês lançaram No problem at all e The Human Anthem nos serviços de streaming. Por que isso? Vocês esperam fazer turnês no exterior quando a pandemia do coronavírus acabar?  

REON: Nós estávamos interessados em ter lançamentos digitais e sentimos que foi o momento perfeito para tentar isso. A vantagem do lançamento digital é que você pode ouvi-lo imediatamente, independente de onde você more. Mas isso não significa que perdemos nosso amor e apreço pelos CDs e pelas gravações físicas. Por isso, nós continuaremos a escolher a melhor forma de distribuir a nossa música. Fazer turnês no exterior sempre foi um dos nossos objetivos e estamos trabalhando cada dia para que isso aconteça.  

KVYA NONO: Neste ano, eu planejava lançar um MV para cada música.  Além disso, eu disse aos membros que era importante trazer uma “sensação de velocidade”. Então, quando o coronavírus emergiu e todos no mundo foram forçados a ficar em casa, eu senti que poderíamos nos aproximar das pessoas de fora do Japão.  

Com os termos “sensação de velocidade” e “alcançar o exterior” em mente, eu cheguei à conclusão que o streaming seria uma escolha perfeita para as atuais atividades da CHOKE. Nós sempre desejamos uma turnê no exterior. Durante essa pandemia do coronavírus, este desejo se tornou cada vez mais forte. Definitivamente, nós queremos fazer isso. Eu quero muito ir e me apresentar no exterior imediatamente.  


B5: Eu gostaria de fazer uma turnê no exterior se as pessoas quiserem nos ver. Os serviços de streaming permitem que você ouça vários artistas independentemente do país ou região em que você vive. A distribuição física não foi possível devido à crise do coronavírus, então nós começamos a fazer isso online. É uma ferramenta muito conveniente, não é?  

Finalmente, vocês têm alguma mensagem para os seus fãs estrangeiros?

REON: Seria ótimo fazer um show no seu país. Obrigado.

KVYA NONO: Muitas mensagens de fãs internacionais, que eu ainda não encontrei pessoalmente, me ajudaram quando eu tive que encarar momentos difíceis no Japão. Eu sempre serei grato por isso. Vou dar o meu melhor para encontrar vocês. Eu espero que possa contar com a sua ajuda.  

B5: Obrigado pelo seu interesse na CHOKE e por tirar um tempo para nos conhecer. Eu espero que um dia nós possamos nos apresentar na sua frente.

O JaME gostaria de agradecer à CHOKE e à Royal Stage pela oportunidade dessa entrevista.


A CHOKE lançou seu segundo single The Human Anthem em 11 de setembro de 2020 em 
diversas plataformas de streaming, apenas três meses após o lançamento de No problem at all.

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