Entrevista Exclusivo

Entrevista com o G.L.A.M.S

08/05/2020 2020-05-08 12:00:00 JaME Autor: Lucy C.H. Tradutor: Marcela Revisor: Nana

Entrevista com o G.L.A.M.S

Mikaru e os demais integrantes do G.L.A.M.S falaram sobre o seu novo álbum, fluidez artística e os homens por trás das máscaras (de palco).


© Vanessa Le Pennec

Em uma fria noite de sábado no centro de Paris, o JaME se encontrou com Mikaru, o vocalista do G.L.A.M.S e um artista japonês multi-talentoso que divide seu tempo entre suas atividades como músico, pintor e joalheiro. Acostumado com a capital francesa, Mikaru realizou sua primeira exibição de pinturas na Mister LO Gallery em 2014, um precioso pólo criativo na Rue Rodier – a poucos metros de um dos mais notáveis pontos boêmios de Paris: o Moulin Rouge. 

Quando começou a trabalhar com o G.L.A.M.S há cerca de sete anos, Mikaru já não era novato no cenário musical, tendo sido integrante do Dio - Distraught Overlord -, banda visual kei que atingiu um sucesso considerável no Japão e uma das primeiras a superar os obstáculos para se apresentar internacionalmente no começo dos anos 2000. Após o rompimento do Dio, Mikaru, que manteve um bom relacionamento com os demais integrantes, se juntou ao baterista Syu para criar o BLACK LINE  uma banda de heavy rock que manteve alguns elementos clássicos do visual kei, ao mesmo tempo em que se tornava um projeto mais flexível e polido, que se tornaria a base para suas aventuras atuais. Foi nesse período que ele conheceu e contratou o guitarrista Yudai, outro espírito livre que tem uma abordagem única da música e que aceitou o convite de ser parte do G.L.A.M.S.

A visão artística de Mikaru pode parecer sombria para quem ainda não se acostumou. Em seu repertório se encontram obras que apresentam tons mais tenebrosos do artista, aparentemente energético e ativo. Criadas com uma mistura de tintas a óleo e acrílicas, as suas pinturas, assim como suas músicas, oscilam entre gêneros e o artista casualmente varia entre o realismo e o abstrato, cores vibrantes e tons do crepúsculo, a bruta arte europeia e as retratações figurativas inspiradas pelas suas raízes japonesas. Fã de longa data da estética da era vitoriana e do folclore vampírico, Mikaru gosta de expressar seu estilo característico e igualmente sombrio como joalheiro. Todas as suas peças são feitas à mão e frequentemente misturam metais nobres delicadamente gravados, pedras preciosas e temas românticos clássicos.

Entretanto, sombrio é uma palavra que não faz jus à figura alegre e jovial que nos recebe com um charmoso sorriso no lounge bar do L’International, acompanhado do guitarrista Yudai, do baterista Syu e do baixista Tetsuto. Fora dos palcos, Mikaru é um homem educado e que não envelhece, vestido com roupas pretas casuais e adornado com jóias que criou. Assim como o resto da banda, ele tem uma aura misteriosa e impenetrável, mas, após uma breve troca de palavras, podemos ver um vislumbre de sua natureza surpreendentemente maleável. Em um inglês perfeito e um toque de humor, Mikaru e os seus parceiros de banda conversaram conosco sobre o seu último álbum, TWILIGHT AFTER THE RAIN, as suas impressões sobre a Europa, as aventuras artísticas do líder e suas opiniões quanto a música como um conceito mais amplo.


Vocês tem vindo à França todo ano desde 2014. A França é um local especial para vocês?

Mikaru: Com certeza, sim. Tenho vindo todo ano há algum tempo, é um lugar muito especial para mim. Na verdade, foi em Paris que eu comecei o G.L.A.M.S; eu realizei uma exposição no Montmartre. Eu lembro dos meus fãs todos os anos; me lembro do canto deles, de seus rostos, a forma como gritam durante nossas músicas. É um prazer revê-los todos os anos.

Tetsuto: E o seu povo tem os macarons, eu amo!

Syu: E o vinho francês, o bife francês... são deliciosos.

Mikaru: Oh, ontem mesmo comi um incrível bife francês com molho de cogumelo em Tours, eu amei! (risos)


Recentemente, vocês anunciaram o lançamento de seu quarto álbum, TWILIGHT AFTER THE RAIN. Por que escolheram esse título, tem algum significado pessoal para vocês?

Mikaru: Eu escolhi o título apenas depois de tudo estar finalizado. Ouvi todas as cinco músicas e pensei em imagens que poderia associar a elas. Foi assim que comecei a visualizar esse conceito – crepúsculo após a chuva. O céu se tornando escuro após a chuva, mas é um escuro bom. Algumas faixas são muito tristes, e em seguidas temos músicas empolgantes como o lado bom após a tempestade.

E qual é o conceito de TWILIGHT AFTER THE RAIN? Qual foi a inspiração e quais emoções querem expressar?

Mikaru: Bem, não é fácil expressar com palavras. Toda vez queremos trazer algo novo... (hesitante)

Syu: Ele está refletindo muito!

Mikaru: Verdade! nesse álbum, todas as músicas são diferentes. Tem rock, R&B, baladas e jazz. Cada música tem seu próprio universo.


Da mesma forma que em EVER-CHANGING, cada música tem seu próprio mundo.

Mikaru: Sim, gostamos de experimentar com um conceito mais amplo de música. Não gosto de categorias – jazz, rock, etc. Elas fazem com que a música pareça ser um mundo pequeno, mas não é. Música é um conceito muito amplo, sem divisões. Eu decido meus próprios limites quando crio uma gravação. Não me prendo a uma visão unidimensional de quem eu sou como músico.


Você mencionou os seus limites, gostaria de falar mais sobre esse conceito?

Mikaru: Bem, quando se fala sobre criar alguma forma de arte, eu tento fazer algo 100% meu. Tem que ser algo completamente pessoal. E como músico, eu sinto que transcendo as fronteiras do metal, hard rock e J-rock. Todas essas palavras podem ser apenas palavras se você quiser enxergar dessa forma. Eu gosto de forçar os meus limites em territórios inexplorados, até mesmo ir do 100% ao 1000% se for necessário, desde que o produto final seja a mensagem que desejo passar –desde que seja fiel a quem eu sou.


Falando de Mikaru, o artista, acho que o título que escolheu reflete bem quem você é. Você está sempre mudando. Nos encontramos várias vezes e em cada uma delas você nos mostrou um lado novo. Mikaru está em constante mudança?

Mikaru: Sim, estou! Procuro por algo novo todos os dias. Eu diria até que as minhas músicas são como filmes. Cada música é um filme diferente: o mesmo diretor mas um novo leitmotiv e trajes diferentes.


Visualmente, é muito impactante! Frequentemente, vemos você interpretar diferentes personagens em seus vídeos: um vampiro andrógino, um jazzman, um rockstar… mas quem é o verdadeiro Mikaru?

Mikaru: Ah, eu ainda estou procurando ele! Por favor, me encontre por trás de Mikaru.

Syu: (Em japonês) Oh, continue procurando, por favor! (risos)

Quando nos encontramos há alguns anos, você disse que escolheu a Europa como o local para lançar o G.L.A.M.S (que no começo era um projeto de artes plásticas), porque pensava que talvez os europeus pudessem enxergar você como um artista de uma maneira que o público japonês não poderia. Após tantos anos tocando no exterior, ainda se sente dessa maneira?

Mikaru: Na verdade, acho que escolhi Paris [como local de nascimento do G.L.A.M.S] por um motivo mais direto – Paris é a cidade da Arte, então foi minha escolha natural. Se ainda penso que o público japonês e o europeu tem uma percepção diferente sobre a minha arte? Não tenho certeza. Acho que o entendimento das pessoas é parecido, sejam elas japonesas ou ocidentais. Mas se eu realizar outra exposição, tenho certeza que escolherei uma galeria europeia novamente

Tetsuto: Do ponto de vista como músico, eu acho que o público japonês e o europeu não são tão diferentes. Ambos começam muito tímidos; quando a situação é nova são cautelosos e ainda não sabem como reagir.  Com o passar do tempo, começam a ficar mais confortáveis, entram no clima e deixam seus cabelos soltos.

Yudai: Curiosamente, acho que as pessoas japonesas tem uma visão levemente diferente sobre música – elas gostam de rotular as coisas com gêneros. Rock, metal, pop, visual kei… É possível encontrar muitas pessoas que dizem gostar apenas de um gênero ou outro. Essa não é a forma que eu vejo a música. Eu enxergo como um todo. Apenas música. Nesse sentido, o público estrangeiro também tende a ter uma mente mais aberta e ser mais flexível em seu gosto.


Não podemos nos esquecer que o G.L.A.M.S é um projeto artístico que se expande para além das fronteiras da música. Você ainda está pintando e criando joias, Mikaru?

Mikaru: Sim, quando eu comecei o G.L.A.M.S, eu o via como um projeto de artes plásticas. Realizei minha primeira exposição em Paris e me apresentei como um artista plástico. Desde então, eu comecei a expandir a minha arte para a joalheira. Pintura é uma atividade que demanda muito tempo. No passado, realizei uma pequena exposição com oito pinturas em Dordrecht, na Holanda, e ainda estou criando novas artes. Recentemente, eu parei um pouco com o hábito de desenhar porque estava focando no TWILIGHT AFTER THE RAIN, mas planejo retomá-lo assim que acabarmos a turnê.

Syu: Pintar é algo muito importante para ele, mas é algo que leva tempo – o mesmo sobre joalheria. Isso é algo que envolve muito desenho, experimentação e precisa de muito espaço criativo... No início ele via o G.L.A.M.S como um projeto orientado à artes plásticas; a história dele é muito interessante. Pintura, joias e música são coisas separadas sob o seu ponto de vista, mesmo que antes ele sentisse a necessidade de unir os dois mundos: a música e as belas artes.

Mikaru: É verdade. Mas eu realmente quero começar a trabalhar em uma nova exibição. Devo voltar a Paris em breve para mostrar o meu novo trabalho!


Por favor, faça isso, nós amaríamos te receber novamente! Por fim, gostariam de deixar uma mensagem para os seus fãs europeus?

Tetsuto: É o baixista Tetsuto aqui. Estou muito grato por vocês estarem ansiosos pela nossa vinda à Europa. Pessoalmente, também estou muito empolgado para tocar aqui em Paris novamente!

Yudai: Aqui é o guitarrista Yudai. Este novo álbum é muito interessante, temos cinco faixas inéditas que são bem diferentes. Por favor, ouçam. Muito obrigado!

Syu: Olá, aqui é o baterista Syu. Tenho voltado para a Europa todo ano há um tempo, e isso é algo que alegra muito a minha vida. Quero continuar voltando, vamos todos dançar e festejar juntos essa noite!

Mikaru: (em francês) Bonsoir Paris! Estou de volta, graças a vocês. Esta noite… por favor, deixe as suas janelas abertas. E as suas roupas. Porque hoje... eu irei até a sua camas para morder o seu pescoço e beber o seu sangue. Por favor, me aguardem...


O JaME gostaria de agradecer ao Mikaru, Syu, Yudai, Tetsuto e a Uknight pela oportunidade da entrevista.

 Site oficial do G.L.A.M.S  Instagram de Mikaru
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