Entrevista Exclusivo

Entrevista com Die do DIR EN GREY

25/03/2020 2020-03-25 16:00:00 JaME Autor: Lucy C.H., JBH Tradutor: Marcela Revisor: Nana

Entrevista com Die do DIR EN GREY

Die, guitarrista do DIR EN GREY, conversou com o JaME nos bastidores do Elysée Montmartre momentos antes do final da turnê europeia, em Paris.


© Lucy CH - JaME team

Localizado em um morro íngreme entre a Sacré Coeur e a boêmia Boulevard de Rochechouart, bem no coração do controverso distrito da luz vermelha em Paris, o Elysée Montmartre é uma construção majestosa com uma austera fachada em baixo relevo, e um salão centenário projetado por Gustave Eiffel. Sendo também o berço do cancã francês, o local foi um dos principais pólos criativos da cidade e recebeu inúmeros artistas europeus renomados da era pós-Napoleônica.

Hoje, o local ganha vida novamente com uma forma de arte diferente, mas não menos disruptiva que as transgressões que um dia fizeram a sua fama. O Elysée sempre pertenceu aos ousados, transgressores e desajustados. Sai o absinto, os floreios e as cores vibrantes e entra uma melodia mais grosseira e sinistra.

Nos bastidores, o guitarrista Die sentou-se à uma mesa de cantina com a calma olímpica de alguém acostumado a shows esgotados em terras estrangeiras. Apesar de ser um homem de poucas palavras e breve em seus comentários, o guitarrista falou sobre sua experiência na Europa com um sorriso carinhoso no rosto e uma expressão levemente rígida, que se afrouxou enquanto ele compartilhava seus pensamentos sobre o processo criativo do DIR EN GREY, as emoções que a banda tenta levar aos fãs e o que o metal significa para ele.

Hoje é o final da turnê europeia THIS WAY TO SELF DESTRUCTION. Gostaria de falar um pouco sobre ela?

Die: Claro. A última vez que estivemos na Europa foi em 2018. Desta vez, começamos este bloco da turnê com um show na Rússia e encerraremos com este show na França. Em todos os locais, fomos recepcionados por muitas, muitas pessoas. Todos nos receberam de forma bem calorosa. Foi uma boa turnê.

Nós percebemos que a setlist da turnê consiste, em sua maioria, de músicas do álbum mais recente da banda, The Insulated World. O som do álbum é descrito como excepcionalmente pesado e menos melódico que os anteriores. Qual a sua opinião sobre isso? Essa atmosfera mais pesada foi intencional?

Die: Bom, quando começamos a trabalhar no The Insulated World, nosso objetivo era quebrar todas as regras; todas as correntes. Deixar o pé escapar do pedal, entende? Queríamos nos livrar de tudo que estava nos prendendo. Não é um processo exatamente mecânico e, certamente, não acontece só em um nível musical. É mais complexo do que isso. 

Desde quando começamos a trabalhar no conceito artístico, pensamos em ideias específicas que gostaríamos de compartilhar através do álbum, e o caminho foi começar do zero e seguir a intuição de forma sincera e sem pensar demais. Com isso em mente, eu pessoalmente não acho que o conceito de The Insulated World seja particularmente pesado em comparação aos nossos trabalhos anteriores. No entanto, a sonoridade alcançada foi intencional. Foi um processo bem calculado.

Falando em sonoridade pesada, as pessoas geralmente descrevem o DIR EN GREY como "meio metal". Vocês são conhecidos pelos temas obscuros e pela atmosfera sombria que se tornaram característica no decorrer de sua carreira. The Insulated World é um bom exemplo. Apesar disso, as pessoas acompanham a banda há anos, no Japão e no mundo.

Os fãs são sinceros sobre o quanto a música do DIR EN GREY ajudou a superar momentos difíceis e estão reunidos aqui hoje com um sorriso no rosto, ansiosos para conseguir um lugar na grade. Você diria que mesmo as formas mais hardcore de metal podem carregar um aspecto positivo?

Die: Sim, com certeza. As nossas letras possuem vários elementos sombrios; é a nossa marca registrada. Mas veja, o que realmente importa é o que vem depois. Após a tempestade, digamos assim. É fácil de entender se você ver o que acontece durante as apresentações. Podemos desenterrar sentimentos problemáticos, alguns dos mais obscuros da humanidade. É um dos nossos temas principais, certamente, mas a catarse que vem depois é o desfecho de ouro que a maioria de nós deseja. Algo positivo, como um certo tipo de luz, pode-se dizer. Além disso, ficamos atentos a como o público reage a cada música. Não ficamos só parados, tocando músicas tristes para depois ir para casa. Não. Nós observamos a reação das pessoas e interpretamos o que vemos. Ver como a nossa música é recebida e percebida é muito importante para nós.

E sobre as suas principais inspirações: há um elemento pessoal nas músicas do DIR EN GREY? Vocês escrevem sobre as suas experiências de vida ou fazem isso indiretamente com as emoções que absorvem de livros, filmes, músicas...? Como vocês mantêm esse processo criativo impressionante?

Die: Bem, inspiração, inspiração... (ele hesita) É uma pergunta muito difícil, na verdade. Eu não consigo apontar uma fonte específica de inspiração para nós. No DIR EN GREY, sempre buscamos criar algo que nunca foi feito antes. Sabe quando você escuta uma banda e pensa "Oh, a música deles me lembra tal e tal banda"? É exatamente isso que queremos evitar. É por causa disso que costumamos filtrar as nossas inspirações. Nós geralmente começamos com algo complexo, e o processo inteiro é simplificar tudo até podermos colocar em um CD que as pessoas irão querer ouvir. Eu diria que é o principal trabalho quando tentamos criar algo novo: desconstruímos coisas, tiramos os floreios e simplificamos até ter algo que soe como o DIR EN GREY.

Você escuta muitas músicas dark metal? Ou é aberto a outros gêneros também?

Die: Na verdade, escuto tudo o que encontro na Apple Music. Eu gosto de ouvir lançamentos e de ver como algumas bandas e artistas amadurecem no decorrer de suas carreiras. Alguns realmente mudam muito, e outros continuam fiéis a sua essência. É o que eu acho realmente interessante.

E bandas europeias, tem alguma em particular que você goste?

Die: Bandas europeias, bem... Ah sim, tem Dagoba! Tocamos com eles em Paris, em 2015. É uma banda poderosa; sua música é bem agressiva. Sobre outras bandas, aceito recomendações!

Nossos leitores certamente irão ajudar a montar uma playlist! Por último, você teve tempo para explorar Paris? O que você se recorda?

Die: Sim, estive diversas vezes na França, mas esta é a primeira vez que subi o morro até o Sacré Coeur. Daqui de cima, temos uma vista incrível da cidade. Eu amei. Eu também adoro pão francês, as baguetes. Sei que é algo comum para vocês, mas confie em mim, são deliciosas!


O JaME gostaria de agradecer a Die, à equipe do DIR EN GREY, à Veryshow Productions e à manager/intérprete Nora pela oportunidade da entrevista.


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