Entrevista com o UNISON SQUARE GARDEN

entrevista - 28.08.2010 15:43

A popular banda UNISON SQUARE GARDEN conversa com o JaME sobre suas opiniões musicais e compartilha suas aspirações para o futuro.

A música do UNISON SQUARE GARDEN mudou ao longo dos anos. Começando com uma mistura especial de indie rock, eletrônico e pop, agora eles seguiram para o rock com tons cativantes e ritmos dançantes. Mais cedo nesse ano, o JaME teve a oportunidade de cobrir um dos shows mais impressionantes da banda, e dessa vez nós fomos convidados a entrevistá-los para conhecê-los melhor.


Vocês podem se apresentar?

Saito: Eu sou Saito Kousuke, o guitarrista e vocalista.

Tabuchi: Eu sou o baixista, Tabuchi Tomoya.

Suzuki: Eu sou o baterista, Suzuki Takao. É bom conhecê-los.

Primeiramente, vocês podem apresentar sua banda aos leitores que ainda não os conhecem?

Saito: Nós tocamos o que pensamos. Dizendo a nós mesmo que “música é divertida” e “o som de uma banda é divertido e legal”, experimentamos e sentimos as razões básicas por que tocamos música japonesa em uma banda. Nós tocamos o que gostamos, e queremos fazer músicas que ouvimos e que nos impressionam. Então, nós somos uma banda japonesa que toca pop/rock que ouvimos, e as sublimamos do nosso jeito.

Há músicos que influenciaram cada um de vocês? Vocês escutavam mais música japonesa do que ocidental?

Saito: Sim, nós todos escutávamos. Meu incentivo para começar a banda foi o BRAHMAN (uma banda de punk rock japonesa alternativa).

Tabuchi: Talvez o que me fez acordar para a música foi o J-pop dos anos ’90. Eu acho que minha forma de escrever músicas foi influenciada por eles. Eu fui muito influenciado pelos cantores e compositores que apareceram.

Suzuki: Eu escuto a bandas ocidentais que considero boas, e que fazem meu corpo balançar naturalmente. Porém, eu fico mais impressionado quando letras japonesas ficam em meu coração. Então, eu sempre escutei bandas que cantam em japonês, seja pop ou rock.

Como vocês escolheram o nome UNISON SQUARE GARDEN? Ele se refere à Union Square, em Nova York?

Saito: Meu nome é Saito e, quando examinei o kanji de ‘sai’ em meu dicionário japonês-inglês, vi que significa ‘uníssono’, de ‘cantar o hino nacional em uníssono’. Então, eu quis usar. (risos) Então eu procurei o que combinava com isso, e cheguei ao nome que roubei do Union Square, em Nova York. (risos)

Você pensou no nome, Saito?

Saito: Aconteceu. (risos)

Como vocês se conheceram e como surgiu a ideia de formar uma banda?

Saito: Eu estudei com Tabuchi no ensino médio e na faculdade. Nós estávamos em um clube de música leve e queríamos formar uma banda, mas não conseguíamos encontrar um baterista porque há poucos. (risos) Então, nós chamamos Takao (Suzuki), que estudou com Tabuchi no ensino fundamental. Foi assim que nos conhecemos, e o UNISON SQUARE GARDEN foi formado depois disso.

Saito, eu ouvi dizer que você nasceu em Nova York, mas vocês se conheceram no Japão?

Saito: Nós nos conhecemos em Tóquio.

Suzuki: Basicamente, nós somos de Tóquio. (risos)

Que mensagem vocês querem passar com sua música?

Saito: Eu acho que música não é teoria. A música japonesa já foi introduzida em outros países. A música é algo que transcende as línguas e coisas como a origem humana. Eu acho que é isso que se infiltra em nossas células. Nós queremos fazer o que é ilógico, que mexe com a alma e que impressiona de formas inimagináveis.

Como foi o processo de composição do JET CO.? Vocês tinham algum tema em particular em mente quando o compuseram?

Tabuchi: Nós fizemos esse álbum da forma que normalmente fazemos, e unimos e seguimos o que achamos que é bom. Os temas das letras vêm de várias coisas que vi no mundo por um ano, e eu escrevi muito sobre o que eu pensava, coisas como “Eu espero que mais pessoas digam esse tipo de coisa”, ou “Eu queria que houvesse mais formas de música”. Hoje a música parece dizer que “a música esta presente para todas as pessoas”, mas eu acho que a música “está presente para cada pessoa”. Então, tanto para os ouvintes quanto para quem lança músicas, eu espero que pensamentos de “Eu toco música” ou “Eu escuto música” sejam refletidos em suas letras.

Ao compor uma música, vocês escrevem primeiro as letras e depois adicionam a música?

Tabuchi: Eu prefiro fazer a música primeiro. Eu gosto de japonês, mas primeiro me preocupo com a melodia dos versos. Provavelmente, a música ocidental também é assim, mas lá você pode adicionar as palavras e depois completar a melodia. Eu gosto de japonês, então, quando escrevo, dou preferência aos sons das palavras japonesas, mas desta vez eu estava pensando “Eu quero que isso seja para cada pessoa”, então adicionei esse pensamento à melodia enquanto estava compondo.

Sua música abrange vários gêneros, como pop, rock e eletrônico. Isso acontece porque várias melodias vêm à mente?

Tabuchi: eu não tinha percebido que nós tocamos tantos gêneros musicais. Nós só tocamos de acordo com o que achamos que é boa música, boas letras e boa melodiaa, e eu acho que o milagre da totalidade da banda causa isso.

Vocês decidem os detalhes sobre os arranjos finais juntos?

Todos: Sim.

Por que vocês batizaram o álbum de JET CO.?

Tabuchi: Quando prestei atenção, percebi que há muitas palavras relacionadas a parques de diversão. (risos) O que eu imaginei dessa vez foi se o balanço total era bom ao ouvirmos o álbum do início ao fim, e pensei que seria muito bom se ele fluísse como uma montanha russa do início ao fim. Porém, o mais importante é que é fácil de dizer. (risos) eu coloquei como título e achei que as palavras seriam fáceis.

O desenho do encarte é um parque de diversões feito de papel. Vocês explicaram suas imagens para o diretor de arte?

Saito: Nós não pedimos, só dissemos “Nós fizemos um álbum cheio de diversão, absolutamente excitante e feliz, então, por favor, faça o encarte combinar com isso”. Então, o desenhista teve as ideias.

O PV de cody beats é bem interessante. Como surgiu a ideia para esse vídeo?

Saito: Basicamente, o diretor de imagem ouviu nossas músicas, nós explicamos a ele o que pensávamos e tocávamos e perguntamos se ele tinha ideias que correspondiam a nossos pensamentos.

As gravações foram difíceis?

Saito: cody beats foi gravado dentro de um elevador em um dia, véspera de Natal, das nova da manhã às três da tarde. (risos)

A cena rock independente está crescendo no Japão. O que vocês acham da cena rock japonesa atual?

Tabuchi: Há muitas bandas. Eu acho que é bom por um lado e ruim por outro. É maravilhoso que cada banda tenha uma personalidade diferente, o que eu acho que é único no Japão hoje em dia. Eu espero que haja a possibilidade de diversos tipos de música seguirem em frente de forma inovadora, em lugar de conservadora. Enquanto impomos a nós mesmos o desafio de não sermos “um em muitos”, mas sim “algo para alguém”, e se toda a cena e a cultura acordassem, eu acho que poderíamos fazer uma cena musical ainda mais interessante.

Qual foi a experiência mais memorável que vocês tiveram como banda nos últimos seis anos?

Saito: Foi no evento de aniversário da Highline Records, em julho de 2007, quando nós ficamos no grande palco do Zepp Tokyo, onde costumávamos pagar para assistir a shows antes. Bandas famosas, como BUMP OF CHICKEN e POLYSICS, também apareceram. Nós conversamos com eles sobre várias coisas, e eles falaram conosco francamente, no mesmo nível, e eu senti que nós tínhamos que nos estabelecer, estando no mesmo palco que eles. Foi nesse dia que eu percebi que fazer as pessoas ouvirem à música da banda e dar-lhes alguma coisa é exatamente o que esses músicos estão fazendo.

Tabuchi: Durante um dos grandes eventos, eu esperava que a música apresentada fosse retratada de uma certa forma, mas foi tão diferente do que eu realmente senti. Desde essa experiência, eu tenho dito a mim mesmo, toda vez que subo em um palco como artista, que tenho que ter mais desejos. Eu disse a mim mesmo coisas como, “Então, como eu posso deixar as coisas mais interessantes? Eu quero mudar alguma coisa”. Quando eu olhei para a indústria musical e senti a atmosfera entre os artistas e a plateia em festivais, fiquei chocado com quão diferente dos meus ideais é a cena musical. Isso me fez pensar, “Seria legal se fosse assim”, e essa se tornou minha maior motivação.

Suzuki: Eu… bem, o que eu devo escolher… O que causou a maior impressão em mim foram todas as pequenas coisas que se acumularam ao longo do tempo e que nos tornaram o que somos hoje. A cada ano nós tínhamos pequenos momentos em que os shows iam muito bem, e o resultado desses momentos se acumulando são os shows que nós fazemos agora. Quando eu penso em nosso primeiro show, sinto a diferença e posso dizer crescemos muito.

Vocês fazem reuniões após os shows?

Suzuki: Nós não fazemos reuniões todas as vezes, mas tenho certeza de que todos refletem sobre o show. Quando não estamos satisfeitos, fazemos uma reunião. Eu fico impressionado com a frequência com que fizemos isso.

Seu público está crescendo, e as casas em que vocês se apresentam também estão ficando maiores. Como vocês se sentem?

Suzuki: Nós estamos felizes, mas não satisfeitos, e este último sentimento é mais forte. Bem, nós estamos agradecidos por isso.

Como vocês eram seis anos atrás?

Saito: Eu sinto que ainda não devia olhar para seis anos atrás. Eu tenho muitas coisas para fazer à frente, e não tenho espaço para olhar para trás. Talvez eu quisesse olhar para trás apenas depois de fazer o que eu devesse fazer, por exemplo quando eu puder dizer “nós fizemos um show no Budokan e tivemos muito sucesso”, ou “chegamos ao topo da Oricon”.

Há algum objetivo em especial que vocês querem alcançar? Vocês querem tocar no Budokan?

Saito: Se eu dissesse mais, acabaria querendo tocar em lugares maiores, como a arena. Mas eu quero tocar no Budokan algum dia.

Tabuchi: Eu sou agradecido por nos apresentarmos em casas maiores a cada dia, mas esse não é um objetivo especial. Meu objetivo é continuar sendo “algo para alguém”. Meu grande objetivo é que as pessoas digam, “havia uma banda chamada UNISON SQUARE GARDEN, e eles me ajudaram a ter uma grande adolescência”. Eu acho que será maravilhoso se mais bandas de rock compartilharem meu objetivo de serem importantes para os indivíduos e causarem impacto nas pessoas, em lugar de quererem apenas tocar nas maiores casas de shows. Se isso acontecer, as bandas de rock farão coisas muito mais interessantes, e todo o cenário musical mudaria. Eu quero ver isso acontecer.

Suzuki: Membros de bandas sempre sonham com os lugares onde eles gostariam de fazer shows. Nós também temos esses sonhos, e conversamos entre nós sobre como queremos tocar no Budokan. Mas nós não estamos simplesmente pensando em tocar no Budokan. Por dentro, pensamos em como seria bom que o Budokan fosse o resultado dos shows que fazemos todos os dias e das músicas que estamos fazendo. Pessoalmente, meu objetivo é continuar me sentindo bem com minha bateria e continuar me divertindo.

Saito, você já morou em diversos países. Isso influenciou sua vida como músico?

Saito: Eu não percebi isso. (risos) Eu já morei em Nova York, Londres, Singapura, Hong Kong e Japão, mas nunca notei isso. Meus parentes são japoneses, e eu tenho conversado em japonês. Porém, quando eu converso com as pessoas penso, “ah, o que eu acho natural pode não ser natural para eles”. (risos) Esse tipo de coisa pode ter moldado minha natureza sem que eu tenha notado, mas, sinceramente, eu não sei.

Por exemplo, quando você canta as letras escritas por Tabuchi, as palavras saem naturalmente? Ou você sente vontade de mudar as expressões?

Saito: Provavelmente os pontos que nós queremos expressar são um pouco diferentes, e, como vocalista, eu canto pensando em como pronunciar as palavras e como encaixá-las nas melodias. Então, quando as letras não se encaixam no que eu quero, eu falo com ele.

A forma como você usa as palavras é interessante. Nós não costumamos ver frases como “zongai” (“contrário às expectativas”). (risos)

Todos: (risos)

Por favor, deixem uma mensagem para nossos leitores.

Saito: Eu quero ver o momento em que a música quebrará barreiras.

Tabuchi: A música não precisa de quando e por que, então eu quero que vocês escutem a qualquer coisa na internet, não apenas nossa música, mas espero que vários tipos de música cheguem a você que está lendo isso.

Suzuki: Nossa música valorize melodias e sons de uma forma rara no Japão, então eu acho que vocês podem apreciar esses sons, mesmo que não entendam seu significado. Eu acho que vocês podem ouvir à música japonesa da mesma forma que nós ouvimos a ocidental, porque a forma básica de apreciar música é comum. O japonês é a língua em que as melodias são claramente divididas entre as frases. Eu quero que vocês apreciem estes itens, que são únicos na música japonesa.
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