DIR EN GREY ao vivo no Maquinaria Festival, em São Paulo

live report - 27.01.2010 01:20

Live Report da primeira apresentação do DIR EN GREY no Brasil, em novembro.

Para a maioria dos presentes era só um show estranho - uma impressão compreensível de qualquer pessoa alheia ao movimento cultural em que estava inserida a apresentação da banda DIR EN GREY no Maquinaria Festival, no dia 8 de novembro. No entanto, para uma minoria daquela plateia, que se apertava entre os fãs que acampavam por dias na espera do Evanascence ou do Panic! at the Disco, a apresentação da banda japonesa, que se tornou popular (como todas as outras do gênero) através da internet, representava muito mais do que um show por si só: era a realização de um sonho que até poucos anos atrás cogitava-se absurdo.

O DIR EN GREY sempre foi uma banda de extremos e por isso sempre se manteve viva na cena, desde seus primeiros anos como uma das mais ‘chocantes’ e populares bandas de visual kei, até ser uma das primeiras a tentar se livrar por completo do estigma do gênero; ela sempre foi uma banda polêmica, e, seja para uma parcela saudosista dos fãs, ou para os novos adeptos, sempre havia conteúdo para agradar a todos. Este ano, a banda colocou no mercado seu último álbum, UROBOROS, muito mais coerente que os últimos lançamentos: ele é agressivo e possui uma ambientação muitíssimo bem resolvida, que para muitos adeptos reposicionou a banda no topo dos shows mais desejados no ocidente.

Foi nesse clima que centenas de fãs apareceram no festival, entre rostos velhos no cenário e a garotada que começa a dar as caras agora, todos sem saber ao certo o que esperar, mas no fundo muito ansiosos pelo que iria acontecer e pela repercussão daquele show no meio de um festival desse porte, para uma audiência tão distinta.

Logo após o show da banda Duff Mckagan’s Loaded, o público fiel já gritava o nome do DIR EN GREY, porém de maneira ainda receosa, ainda digerindo a ideia de que eles iriam mesmo aparecer ali. No finalzinho da tarde, com o sol prestes a cair, começou a tocar SA BIR, a introdução de UROBOROS, sendo suficiente para o público enfim entrar em frenesi.

Em seguida, a banda se posicionou, e após a entrada do vocalista Kyo, a intro parou. Um momento de tensão e já conhecíamos todos o grito agudo que viria após o riff da guitarra de Kaoru, mudando por completo a impressão que aqueles músicos, até bastante arrumadinhos, davam de primeira. E o riff veio rasgando com Shokubeni. A música já deixava claro o estilo da banda - melodias intercaladas com berros vezes agudos vezes graves, com um refrão emocionante.

Sem dar tempo para se recuperar, veio REPETITION OF HATRED, também bastante forte e agressiva, como seria todo o show. A banda parecia aos poucos ficar mais a vontade no palco, e o baixista Toshiya começou a mostrar a empolgação que faria toda a imprensa local destacar sua participação. Agitated Screams of Maggots veio então para provar que aquele setlist seria para bater a cabeça até não sobrar absolutamente nada da coluna. Uma faixa mais rápida, que mostrou a intensidade da presença do grupo ao vivo.

Após veio a aguardada THE FINAL, música antiga mas muitíssimo querida dos fãs da banda. Esta fez todos ali se empolgarem ao máximo, cantando junto e surpreendendo os fãs das outras bandas que não esperavam por uma audiência tão fervorosa para uma banda desconhecida, quanto mais que fossem acompanhar as músicas aos berros e em um alfabeto estranho.

Em seguida, veio a realmente surpreendente VINUSHKA, música nova e com quase 10 minutos de duração. E que foi tocada na íntegra. 10 minutos muito bem equilabrados, com partes melódicas muito emotivas, trilhas de guitarra lindas e partes berradas realmente convincentes; uma música que cresce e cresce até explodir em pancadaria. Surpreendentemente, uma parcela das pessoas que empolgavam-se com a banda não fazia idéia da existência dela até alguns minutos.

A música seguinte foi OBSCURE. O pouco da intro foi o suficiente pra reconhecer a música. Durante esta música, algumas fãs vindas do Japão batiam a cabeça exatamente como fazem em shows em seu país de origem. Reiketsu nariseba foi tocada ainda sob a impressão deixada por OBSCURE.

A bateria no início de DOZING GREEN deixou claro a maneira que a banda tocava: a música ao vivo era impressionante, apesar de ser toda quebrada, ela estava lá, exatamente como todo mundo a conhecia. Nota a nota, berro a berro. INCONVENIENT IDEAL, linda, bem executada, uma música mais lenta e angustiante, que veio junto com o comecinho da noite, revelando o belíssimo set de luzes do palco do Maquinaria.

Por fim, Kyo anunciou a última música com a única coisa dita para a multidão durante todo o show: “Rasutoooo!” ("last"; "último" em português). Gaika, chinmoku ga nemuru koro, veio para fechar um show que pareceu muito maior do que realmente foi, e muito menor do que o público gostaria que fosse.

Aplausos vindo de todos os lados, de fãs e de até então desconhecidos, todos certamente surpresos com a força da banda que representa muitíssimo bem o que a indústria fonográfica do Japão tem de melhor para oferecer, por toda sua história, sua inegável individualidade e principalmente sua presença e força! Foi desta forma que o DIR EN GREY terminou a sua primeira apresentação no Brasil.


Set list:

1. SA BIR
2. Shokubeni
3. REPETITION OF HATRED
4. Agitated Screams of Maggots
5. THE FINAL
6. VINUSHKA
7. OBSCURE
8. Reiketsu nariseba
9. DOZING GREEN
10. INCONVENIENT IDEAL
11. Gaika, chinmoku ga nemuru koro


Agradecimentos especiais a Rodrigo Esper pelo artigo e a Victor Nomoto, ambos responsáveis pelas fotos e pela edição do material.
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